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quinta-feira, 12 de junho de 2014

estação


                                               estação
 
                                               A parte mais importante da viagem
                                               não é a chegada ao destino,
                                               são as paragens. 
 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Oração de São Francisco


Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó, Mestre, fazei com que eu procure mais
Consolar que ser consolado,
Compreender que ser compreendido,
Amar que ser amado,
Pois é dando que se recebe,
É Perdoando que se é perdoado
E é morrendo que se vive
Para a vida eterna.

domingo, 11 de maio de 2014

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Pensamentos sobre a arte


Todas as artes são como espelhos destinados a mostrar aos homens aquilo que, até então, desconheciam a respeito de si. 
(Alain)

*

Uma questão, não tão ridícula quanto possa inicialmente parecer: existe um bom gosto em homens de corações corrompidos? 
(Denis Diderot)

*

Os templos edificados em tributo à religião são, na verdade, tributos à arquitetura. 
(Ludwig Feuerbach)

*

Sem música, a vida seria um erro
(Friedrich Nietzsche)

O crítico assiste a concertos e a peças de teatro; o jornalista frequenta a academia; a imprensa reina na sociedade; e a arte acabou, enfim, por degenerar-se em algo a serviço da diversão e de um entretenimento fácil; a crítica estética, assim, apresenta-se como instrumento de uma sociedade frívola, egoísta, dispersa e miseravelmente banal... Embora falemos de arte hoje com uma frequência não usual em outros tempos, não menos atual é o descaso na vivência artística.   
(Friedrich Nietzsche)

A arte, e nada além da arte! Apenas ela nos permite suportar a vida. A arte é mais importante para o homem que a verdade.
(Friedrich Nietzsche)

*

A obra de arte – como o são os produtos em geral – cria um público apto a compreendê-la e a dela fruir. A produção artística, então, não apenas resulta da criação de um objeto por um sujeito, mas também da criação de um sujeito por um objeto. 
(Karl Marx)  


(in Pensées sur l'art, compilados por André Comte-Sponville, Paris: Albin Michel, 1999)

sábado, 21 de dezembro de 2013

Diálogo sobre a natureza humana

(por Edgar Morin e Boris Cyrulnik)

EDGAR MORIN
É interessante observar o seguinte paradoxo: é por razões irracionais que nós racionalizamos.

BORIS CYRULNIK
Concordo contigo! De fato, ninguém consegue explicar a necessidade humana de racionalização e de busca por coerência nas coisas. Mas precisamos entender que, talvez, essa necessidade de coerência seja estimulada pelo cérebro. Os animais vivem em um mundo mais contextual que o mundo dos homens, já que, ao menos em tese, o mundo animal desconhece o fenômeno linguístico. Já o homem pauta sua vida em discursos narrativos, em especulações, em virtualidades, em fórmulas e teoremas. Nossas emoções também têm explicações físicas. Se eu estimular o rinencéfalo, a porção do córtex cerebral responsável pelo olfato, ou se eu extrair parte de meu lobo frontal, seria capaz de dotar-me de um sistema de representação completamente diverso. Para a explicação das emoções humanas, portanto, não há apenas respostas nos fatores sócio-culturais que nos cercam, mas há respostas também na própria atividade cerebral. 

EDGAR MORIN 
Acrescento, ainda. A dúvida não deve ser capaz de suplantar a fé. Aqueles que creem não podem, igualmente, ignorar a dúvida em prol de dogmas. Mesmo para os mais céticos, a fé será sempre potencialmente possível em momentos de fraqueza. Nos tempos atuais, creio não ser possível encarar fé e dúvida como compartimentos estanques. O estado mais sublime de ambas as coisas deve pressupor uma convivência harmônica. No mundo animal, o desenvolvimento da inteligência não ocorre em detrimento do desenvolvimento da afetividade; ao contrário, inteligência e afetividade desenvolvem-se conjuntamente. Mas também é verdade que o excesso de afetividade pode nos cegar em dadas situações. Sem a afetividade, nossa sede por conhecimento, nossos impulsos de busca por respostas para a compreensão do mundo estariam comprometidos. É definitivamente urgente que cessemos de afirmar que o desenvolvimento da inteligência acontece em detrimento da afetividade!      

(in Dialogue sur la nature humaine, Éditions de l'Aube, 2000)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

João Guimarães Rosa


O correr da vida embrulha tudo. 

A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. 

O que ela quer da gente é coragem.


(Grande Sertão: Veredas)

sábado, 27 de julho de 2013

Friedrich Nietzsche [sobre a arte]


A arte, e nada além dela!

É apenas a arte que nos permite viver,
que nos persuade à vida.

A arte tem mais valor que a verdade.

**

Sem a música,
a vida seria um erro.


(in Pensamentos sobre a arte, textos escolhidos e apresentados por Comte-Sponville)

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Emil Cioran (5)

 
Sinto-me como um maratonista que, de repente, abandonando a prova, põe-se a meditar sobre a corrida.
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Quando nos tornamos obcecados por nossas infâncias, é possível dizer, a partir de então, que a jornada está cumprida.  
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O que se costuma denominar "requinte" é, na verdade, status de precariedade.
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Uma das coisas mais importantes na vida é encontrar o diapasão e, assim, sentir a frequência da alma.
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A tristeza da compreensão – eis o maior desespero de um escritor.
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Um escritor respeitável teme o sucesso, não o cobiça.
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O elo mais profundo entre os seres é exprimível pela música.
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Um homem de virtude seria, a princípio, um homem desprovido de ambições.
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A metafísica corresponde à busca de respostas para justificar o que chamamos de instinto.
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Com o passar do tempo, é normal que nos habituemos ao abandono, usufruindo de todas as suas possibilidades com alegria. Ridículo seria sofrer por isso, em vez de compreender a plenitude do momento.
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A verdadeira elegância moral é a arte de mascarar conquistas como tropeços.
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De todas as formas de monotonia, a pior é a afirmação.
**
Entre "misticismo" e "niilismo" há diferença lexical apenas, ou seja, a vivência do "nada" pressupõe uma ordem mística.

(Cadernos I e II, prefácio de Simone Boué. Bucareste: Humanitas, 2010)

domingo, 7 de abril de 2013

Entrevista: Adam Puslojić - Nichita Stănescu

[e, em continuidade aos festejos – 80 anos de Stănescu –, compartilho...]

ENTREVISTA (em romeno).
Adam Puslojić, poeta sérvio, intermedeia diálogo com Nichita Stănescu.

Depoimento emocionante: "O que é poesia?"



[o poeta não cria, apenas decodifica a poesia que existe no mundo.]

quarta-feira, 13 de março de 2013

Art. 21 do Regulamento Urbano




                                                                 É PROIBIDO
                                                       TREPAR NAS ÁRVORES,
                                                             CRAVAR OBJETOS,
                                                             PREGOS, TALHAR
                                                  OU DANIFICAR DE QUALQUER
                                                             FORMA A CASCA 
                                                                DAS ÁRVORES
 
                                            [os infratores serão punidos na forma da Lei]

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

À procura da felicidade





Caut fericirea
Marian 23 (de) ani
3527-080 230

                                                À procura da felicidade
                                                Marian, 23 anos
                                                3527-080 230


[anúncio rabiscado sob a janela de um trem: Bucareste - Brasov]  

domingo, 25 de novembro de 2012

Acender uma vela


O príncipe ancião Ping, exímio guerreiro, disse uma vez ao velho cego mestre de música da corte:

- Gostaria de ter estudado a língua do antigos sábios, mas, com os compromissos de Estado e as batalhas, não me sobrou tempo. Hoje, aos sessenta anos, não está já tarde para começar?

- À noite, respondeu o músico, acendo uma vela. 

O príncipe espantou-se com a resposta e retrucou:

- Como? Abro-te o coração e, em troca, ouço um disparate! 

Impassível à indignação do príncipe, respondeu o mestre de música:

- Quando estudamos desde a juventude, apanhamos o meio-dia. Em idade mais madura, recolhemos o crepúsculo. Já na velhice, bem... dizem os velhos sábios: "é melhor acender uma vela que maldizer a escuridão".   


(in ANDRÉ, Paul. Contos dos sábios taoístas, L'ippocampo, Milão, 2009)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O senhor "eu..."


Próximo ao lago Djerid, lá onde a água e a terra formam o sal, um homem pretensioso bradava por praças e ruas seus discursos, sempre começando com "eu...". 

Se visse alguém erguer um muro, dizia:
- Eu faria assim.

Se visse um tecelão armar o tear, dizia:
- Teria feito assim.

Sempre o mesmo "eu...".

O próprio imã, que era um homem generoso e receptivo às palavras, depois de um tempo não o conseguia mais suportar.

Certo dia, numa ruela, o sabichão escorregou sobre figos podres. Com os quadris doloridos, bravejou ainda ao chão:
- Jamais plantaria aqui estas figueiras! 

Um menino, então, aproximou-se para dizer:
- Em teu lugar, eu apenas me levantaria.


[Quem tem resposta para tudo, quem sempre anuncia aquilo que supõe conhecer é certamente um ignorante]
HIKAM


(in ANDRÉ, Paul. Contos dos sábios do deserto, L'ippocampo, Milão, 2010)


terça-feira, 6 de novembro de 2012

vicissitudes

 

                                                                                               vicissitudes, 22.10.12



terça-feira, 31 de julho de 2012

MAPA DA M(S)INA







extraído de
http://ecologie.blog.lemonde.fr/2012/07/27/la-fin-de-la-planete-en-2100/



sábado, 14 de julho de 2012

Autorretrato ante o espelho quebrado


Octavian Paler


[Autoportret într-o oglindǎ spartǎ]


Quando finalmente seriam os sonhos mais tangíveis, dei-me conta: também as paixões envelhecem. Não sou capaz de assegurar minhas próprias vontades. Não me faltaram, decerto, metas falsas e entusiasmos pueris. Jamais minha imaginação concebeu um mundo sem ti. Ainda que não assumas o comum e paranóico orgulho de imaginar-te ao centro do mundo, algo sempre duro de admitir, faltou-te inteligência ou capacidade para aceitar que ninguém ensina o que quer que seja, exceto retratos amarelados, velhas fotos lançadas à lixeira tão logo partas. Aos outros, somos marionetes bufas, personagens melhores [ou atuantes patéticos]. Todas as certezas que já tive esvaíram-se, sem ressalva alguma. Também as alegrias passadas assumem tom melancólico na lembrança. O passado é vivo, integra o presente e o influencia na proporção do conflito diário. “Daqui a pouco” transforma-se em “mais tarde”. Comecei a perceber que, de atores em cena, tornamo-nos figurantes. E a memória revolve-se em perdão. A lembrança tem um dom estivo, dá-nos o verão como estação de destino. Hoje, sobram-me dúvidas; fito o céu apenas com a esperança de um guarda-chuva, como todos aqui em Bucareste, que, sob nenhum lirismo, admiram e respiram fumaça [quando chove, inevitavelmente pisamos em poças múltiplas]. Associando-me a outros, a atmosfera, de tão dura, não me permite integrar, e acabo sempre só. Porque busco alguma coisa [pouca coisa mas algo] e sou errante num mundo de tudo que te dá nada. A humanidade tomou o lugar do próprio homem. Hoje, preciso apenas de um muro para levantar e, por não o encontrar, eis o desespero. Uma vida medíocre é justificável. A mediocridade das ilusões, todavia, é inescusável. E continuamos sonhando, mais e mais [sem limites]. Por quê? Talvez, possa-me abandonar sobre a imagem quebrada do espelho, sem o temor do pecado. Soube que há uma língua atualmente falada por um homem apenas. Como discutir? O mistério mais sutil é a banalidade. Nesse cotidiano, guardo contigo meu segredo supremo. Seria a criação do universo uma obra banal? As estrelas apontam, todas as noites, nossa morte [ou vida constelada emudecida]. Deus criou o homem e confiou ao diabo a tarefa do desfazimento. O diabo não tem limites. Seria a linguagem o extremo dessa falta?

Atentei-me demais ao detalhe, perdi o foco?
[vou reescrever]


(trad. livre joão monteiro)

(in Autoportret într-o oglindǎ spartǎ, Ed. Albatros, Bucareste, 2007)

sábado, 12 de maio de 2012

Emil Cioran (4)


Durante certa época, eu dedicava uma parte do tempo, todos os dias, à música e à poesia. De repente, a prosa tomou aquelas horas reservadas. Que declínio, que decadência! 


(Cadernos I, prefácio de Simone Boué. Bucareste: Humanitas, 2010)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Emil Cioran (3): prefiro epitáfios a antologias

"Um único dia de solidão representa, para mim, mais felicidade que todos os triunfos desta vida" (Carol Quintul).
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O fim de uma religião começa quando não nascem mais hereges.
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Admiro "X" porque não tem ideia do quanto é ridículo.
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Minhas alegrias são apenas tristezas latentes.
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Sob o ponto de vista literário, a Justiça é um ideal medíocre.
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Haverá o dia da abolição do conhecimento e do poder, da renúncia total – ou do capítulo final.
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Perdi vários velhos defeitos; em compensação, outros novos adquiri. O equilíbrio permanece intacto.
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A liberdade é igual à saúde: seu valor aquilata-se quando a perde. Àquele que a possui, jamais será um ideal. O mundo livre é um paradoxo.
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Na França, a insolência é indispensável para construir uma reputação de homem inteligente e espiritualizado
OU
Na França, insolência, inteligência e espírito têm o mesmo valor.
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Não tenho aptidão alguma à filosofia: interessam-me apenas as atitudes e o aspecto patético das ideias...
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Meus escritos são todos mancos, sem desenvoltura. Eis o drama daqueles que escrevem pouco, que não escrevem com a frequência da respiração. Sou autor 'de momento', pois escrevo apenas na tentativa de livrar-me da angústia de um instante.
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Apresento meu aspecto religioso: um fervor demoníaco.
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Após meu velho entusiasmo (há muito superado) em relação a Rilke, nenhum outro poeta interessa senão Emily Dickinson. O mundo dela, que me é tão familiar, seria ainda mais apropriado se finalmente eu me abandonasse à solidão total. Impossibilitado desse privilégio, prefiro, por ora, fugir de sua poesia.
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Meu gosto pelas miniaturas, pelas fórmulas condensadas, está bem traduzido assim:
PREFIRO EPITÁFIOS A ANTOLOGIAS.
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Renunciar a tudo, inclusive ao papel de espectador...
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A ideia de 'destino' é concebida por homens doentes.
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Eu o intitulo 'ingênuo' porque, sem tomar consciência de sua mediocridade, jamais hesita e anuncia a todos os louros de sua bobagem. Evidentemente, essa ingenuidade está presente na maioria das pessoas.
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Nossa confissão mais sincera está nas coisas que especulamos sobre os outros; fofocar é sentar ao confessionário.
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Nenhum amigo expõe ao outro a realidade. Por essa razão, nossos diálogos mais fecundos desenrolam-se em silêncio com inimigos.
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Três horas de conversa. Pecado! – perdi três horas de silêncio.
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Toda afirmação pressupõe uma dose de instinto de que, comumente, não dispomos. Algumas pessoas estão sempre desprovidas de instinto, suas penas são mudez anunciada.
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Sonho com um sistema filosófico meramente aforístico, como um dia o sonhou Emily Dickinson.
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A existência de um homem 'livre' prescinde de qualquer coisa, inclusive da honra.


(Cadernos I, prefácio de Simone Boué. Bucareste: Humanitas, 2010)