quinta-feira, 8 de maio de 2014
Daniel Faria (9)
A casa vem das mãos para ficar desabrigada
Arbusto por abrir
Sono do bicho no degrau de entrada.
A casa vem demolir o homem
Envelhecer o pão.
Casa mártir, planície muito viajada
Cega a tactear as fendas das paredes.
Morada de si mesma. Árvore
Povoada
(explicação das casas in POESIA, Assírio & Alvim, Porto, 2012)
Daniel Faria (8)
Estou dentro de paredes brancas.
Quatro paredes: a minha cela,
O frio, a solidão e o meu catre.
A luz entra sempre de noite.
Não tinha nada donde vim. Aqui não encontrei
O que tive e a cadeira não serve o meu repouso.
Ainda não há lugar no mundo onde possa sossegar de tu não seres
O vazio que persiste à minha beira.
Tenho um pequeno sonho de uma janela para abrir:
E que paisagem não seria estar feliz!
(explicação das casas in POESIA, Assírio & Alvim, Porto, 2012)
Luiza Neto Jorge (8)
FÁBULA
O animal entende-se
tem cascos põe-os a render
tem pele aquece
fecha-se nos olhos para adormecer
tudo quanto lembra esquece
Dispende-se.
Permanece.
(in poesia, Assírio & Alvim, Lisboa, 2001)
O animal entende-se
tem cascos põe-os a render
tem pele aquece
fecha-se nos olhos para adormecer
tudo quanto lembra esquece
Dispende-se.
Permanece.
(in poesia, Assírio & Alvim, Lisboa, 2001)
Luiza Neto Jorge (8)
O POEMA ENSINA A CAIR
O poema ensina a cair
sobre vários solos
desde perder o chão repentino sob os pés
como se perde os sentidos numa
queda de amor, ao encontro
do cabo onde a terra abate e
a fecunda ausência excede
até à queda vinda
da lenta volúpia de cair,
quando a face atinge o solo
numa curva delgada subtil
uma vénia a ninguém de especial
ou especialmente a nós uma homenagem
póstuma
(in poesia, Assírio & Alvim, Lisboa, 2001)
O poema ensina a cair
sobre vários solos
desde perder o chão repentino sob os pés
como se perde os sentidos numa
queda de amor, ao encontro
do cabo onde a terra abate e
a fecunda ausência excede
até à queda vinda
da lenta volúpia de cair,
quando a face atinge o solo
numa curva delgada subtil
uma vénia a ninguém de especial
ou especialmente a nós uma homenagem
póstuma
(in poesia, Assírio & Alvim, Lisboa, 2001)
Orides Fontela (13)
TABELA
Existe
resiste
persiste
insiste
Desiste
(Helianto, 1973)
(in Poesia reunida, São Paulo: Cosac Naify, Rio de Janeiro: 7 Letras, 2006)
Existe
resiste
persiste
insiste
Desiste
(Helianto, 1973)
(in Poesia reunida, São Paulo: Cosac Naify, Rio de Janeiro: 7 Letras, 2006)
Orides Fontela (12)
AXIOMAS
Sempre é melhor
saber
que não saber.
Sempre é melhor
sofrer
que não sofrer.
Sempre é melhor
desfazer
que tecer.
(Teia, 1996)
(in Poesia reunida, São Paulo: Cosac Naify, Rio de Janeiro: 7 Letras, 2006)
Sempre é melhor
saber
que não saber.
Sempre é melhor
sofrer
que não sofrer.
Sempre é melhor
desfazer
que tecer.
(Teia, 1996)
(in Poesia reunida, São Paulo: Cosac Naify, Rio de Janeiro: 7 Letras, 2006)
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Pelo malo (filme)
PELO MALO (Venezuela, 2013)
filme de Mariana Rondón
filme de Mariana Rondón
[vencedor da Concha de Oro do Festival de San Sebastián]
Filme belíssimo. Obra que enfrenta a dureza das dificuldades sociais na Venezuela com extremos lirismo, delicadeza e poesia. Roteiro inteligente. Boas atuações.
Filme que propõe uma reflexão sobre a superficialidade de nossos próprios preconceitos.
Filme que precisa ser visto!
Em cartaz em São Paulo: Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca (dias e horários devem ser checados previamente).
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