sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Nichita Stănescu (4)
Rugăciunea
Iartă-mă şi ajută-mă
şi spală-mi ochiul
şi întoarce-mă cu faţa
spre invizibilul răsărit din lucruri.
Iartă-mă şi ajută-mă
şi spală-mi inima
şi toarnă-mi aburul sufletului,
printre degetele tale.
Iartă-mă şi ajută-mă
şi ridică de pe mine
trupul cel nou care-mi apasă
şi-mi striveşte trupul cel vechi.
Iartă-mă şi ajută-mă
şi ridică de pe mine
îngerul negru
care mi-a îndurerat caracterul.
vire-me a face
ao passar vazio das coisas.
cubra-me com a névoa existencial
por ti dissipada.
para, desprendido deste corpo aflito,
desmanchar finalmente a velha carne.
o anjo sombrio
que me endureceu a alma.
Iartă-mă şi ajută-mă
şi spală-mi ochiul
şi întoarce-mă cu faţa
spre invizibilul răsărit din lucruri.
Iartă-mă şi ajută-mă
şi spală-mi inima
şi toarnă-mi aburul sufletului,
printre degetele tale.
Iartă-mă şi ajută-mă
şi ridică de pe mine
trupul cel nou care-mi apasă
şi-mi striveşte trupul cel vechi.
Iartă-mă şi ajută-mă
şi ridică de pe mine
îngerul negru
care mi-a îndurerat caracterul.
(1972)
**
Oração
Perdoe-me, ajude-me
enxague-me os olhos, vire-me a face
ao passar vazio das coisas.
Perdoe-me, ajude-me
purifique-me o coração,cubra-me com a névoa existencial
por ti dissipada.
Perdoe-me, ajude-me
faça-me livre para, desprendido deste corpo aflito,
desmanchar finalmente a velha carne.
Perdoe-me, ajude-me
liberte de mim o anjo sombrio
que me endureceu a alma.
(1972)
(trad. joão monteiro)
terça-feira, 6 de novembro de 2012
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Luiza Neto Jorge (6)
EXORCISMO
o sangue o suor
a água lustral
o leite do sol
retido na mama
o sangue sangrando
com o vinho
o pranto o rito
líquido o vinho
tinto no mijo
de deus no sangue
descendo na urina
subindo água
benta no sangue
o filtro do amor
filtrando o suor
um licor dividindo
o choro do pus
(in poesia, Assírio & Alvim, Lisboa, 2001)
o sangue o suor
a água lustral
o leite do sol
retido na mama
o sangue sangrando
com o vinho
o pranto o rito
líquido o vinho
tinto no mijo
de deus no sangue
descendo na urina
subindo água
benta no sangue
o filtro do amor
filtrando o suor
um licor dividindo
o choro do pus
(in poesia, Assírio & Alvim, Lisboa, 2001)
Sophia de Mello Breyner Andresen (3)
PORTAS DA VILA
I
A casa está na tarde
Actual mas nos espelhos
Há o brilho febril de um tempo antigo
Que se debate emerge balbucia
II
Com um barulho de papel o vento range na palmeira
O brilho das estrelas suspende nosso rosto
Com seu jardim nocturno de paixão e perfume
A casa nos invade e nos rodeia
III
A casa vê-se de longe porque é branca
Mas sombrio
É o quarto atravessado pelo rio
IV
A casa jaz com mil portas abertas
O interior dos armários é obscuro e vazio
A ausência começa poisando seus primeiros passos
No quarto onde poisei o rosto sobre a lua
(in Geografia, Editorial Caminho, Lisboa, 2004)
domingo, 30 de setembro de 2012
Kenneth Rexroth
THE ADVANTAGES OF LEARNING
I am a man with no ambitions
And few friends, wholly incapable
Of making a living, growing no
Younger, fugitive from some just doom.
Lonely, ill-clothed, what does it matter?
At midnight I make myself a jug
Of hot white wine and cardamon seeds.
In a torn grey robe and old beret,
I sit in the cold writing poems,
Drawing nudes on the crooked margins,
Copulating with sixteen year old
Nymphomaniacs of my imagination.
[1944]
(in The Phoenix and the Tortoise)
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